Limeirense Marquinhos Domingues: “Sofri junto com o povo da Tailândia”

Por Edmar Ferreira

Um limeirense conviveu de perto com o drama dos meninos do time de futebol Javalis Selvagens. Os garotos de 11 a 16 anos e o treinador de 25 ficaram presos em uma caverna inundada na Tailândia e foram resgatados por mergulhadores profissionais após 18 dias de operação.

Marquinhos Domingues, preparador de goleiros, trabalha no Chiang Rai United FC, time da cidade onde o episódio aconteceu.

Você sofreu muito, assim como o povo tailandês?

Não tem como não se envolver, até por se tratar de crianças. O assunto aqui na minha cidade era apenas o resgate desses meninos. Ficamos aflitos e dormimos pouco. Cada vez que um repórter entrava ao vivo do local o batimento cardíaco aumentava. Rezamos muito para que os mergulhadores tivessem sucesso.

Quando um mergulhador morreu, você chegou a temer pelo pior?

Foi muito triste. Parecia que tínhamos perdido um ente querido. O Saman Guman é um mergulhador experiente e muito querido. Com certeza chegamos a temer pelo pior. Mas a mobilização foi tão grande, que graças a Deus teve um final feliz. Temos que destacar a ajuda dos nossos países vizinhos. Foi um dos momentos mais delicados que convivi nessa minha carreira no futebol.

Você conhecia o professor ou algum garoto que ficou preso na caverna?

Não. Não conhecia nenhum deles. Sabia apenas que esses meninos torciam para o nosso time e que sonham um dia vestir a camisa do Chiang Rai United FC. A caverna fica a 50 km de onde estamos. Os garotos foram inclusive trazidos para os hospitais daqui e estão em plena recuperação. O importante é que o pior já passou.

Seu time prestará alguma homenagem aos garotos?

Não posso afirmar, mas tenho ouvido muita coisa aqui no clube. Pelo que sei, o nosso presidente, que é um político muito respeitado no país e gosta de ajudar nessa parte social, pensa em custear os estudos de todos eles. Acredito que quando eles se recuperarem e forem liberados do hospital, serão convidados a assistir os nossos jogos no Campeonato Tailandês e é claro, vão receber uma camisa de presente. O nosso atacante Victor Cardozo fez um gol no fim de semana e por baixo de sua camisa estava o 13, número de pessoas presas na caverna.

Que lição dá para se tirar de um episódio como esse?

Estava conversando exatamente isso com o nosso técnico Alexandre Gama. A mobilização foi tão grande, tão grande, que me enche de esperança. O ser humano tem solução sim. Não podemos abrir mão dele, jamais. A ajuda que os nossos meninos tiveram aqui na Tailândia foi grandiosa. O mundo parou para nos ajudar. Isso me faz acreditar em um planeta melhor.

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