Em visita a Limeira, César Sampaio diz que a Seleção Brasileira não o cativou

Por Edmar Ferreira

Ex-volante da Seleção Brasileira, César Sampaio esteve ontem em Limeira na sua escolinha de futebol, que é comandada pelo professor Luiz Carlos. O atual presidente do Comercial de Tietê e comentarista da Rádio Capital e da CBN, visitou a Gazeta de Limeira. Bem humorado, o ex-jogador que passou pelos quatro clubes grandes de São Paulo, nos concedeu uma entrevista para falar do Brasil na Rússia.

O que você achou do Brasil na Copa da Rússia?

A Seleção Brasileira não me cativou. O time não tinha alma. Não vi por exemplo no Brasil o que enxerguei na Croácia, ou seja, aquela vontade de vencer. Aquela gana. Os jogadores não tem identidade com a nossa seleção.

Os jovens talentos do nosso país vão embora muito cedo para a Europa e acabam se distanciando da torcida. Desta forma, a relação entre torcida e jogadores passa a ser fria. Mas isso começa lá em cima, na CBF.

Tite teve culpa nesse fracasso do Brasil?

Prefiro trocar a palavra culpa pela falta de experiência. Mas ele vai aprender, até por ser uma pessoa muito humilde. Foi apenas a sua primeira Copa do Mundo. Só acho que o Tite pagou um preço muito caro por levar para Rússia jogadores que não estavam 100%. Ele apostou que esses atletas se recuperariam durante a Copa e quando foi ver, não pode contar com eles.

Outro erro gravíssimo foi divulgar a escalação do Brasil sempre com dois dias de antecedência. Hoje em dia não é recomendado fazer isso. Qualquer informação vale ouro. Tem muito estudo. Outra coisa, quem está mal, tem que sair. Roberto Firmino tinha que ocupar a vaga do Gabriel Jesus. Todos queriam isso. Ele foi teimoso.

Para completar, o Tite armou um esquema tático em função de um único jogador, o Neymar. Sendo assim, prejudicou todo o grupo.

Você é a favor de um técnico estrangeiro na seleção?

Sinceramente, gostaria que o Tite permanecesse. Ele é o técnico ideal para a nossa seleção. Apenas acho que a sua comissão técnica precisa ser trocada. Os melhores de cada função precisam ser contratados e não apenas os amigos do Tite. Eu sei que são cargos de confiança, mas é preciso mudar essa filosofia. Temos que evoluir.

O ex-meia Alex disse recentemente que a CBF é um balcão de negócio. E ele tem razão. Imagine só um estrangeiro na seleção, como um Pep Guardiola ou um José Mourinho. Óbviamente, eles vão querer transparência e aí vão ver que no Brasil isso não funciona. Outra coisa é que existe uma rejeição com gente de fora. Talvez não desse certo.

E as críticas sobre o Neymar foram pesadas na sua opinião?

Existem vários Neymar. O comercial foi ruim, pois ele não deixou uma boa imagem aos patrocinadores na Copa. O atleta foi prejudicado pela cirurgia antes da competição. Era nítido que ele não estava 100%. Fisicamente ele ficou devendo. Tite enxergou isso e sacrificou o Gabriel Jesus para marcar por ele.

Se o Brasil fosse campeão, claro que Neymar hoje seria reverenciado. Mas ele ficou longe de jogadores como Mbappé e Hazard. A gente sabe que Neymar é um fenômeno, mas não dá para separar o jogador do homem. Talvez essa Copa tenha sido boa para o aprendizado dele. Acredito que ele vá crescer muito daqui para frente.

Ele exagerou nas quedas durante a Copa?

Sobre esse assunto eu conversei demoradamente com o Lima, que foi seu técnico na base do Santos. O Neymar sempre jogou nas categorias acima, até por ser diferenciado. Como era franzino, usava esse recurso das quedas. Isso vem com ele desde a base.

Naquele golaço que ele marcou contra o Flamengo, na Vila Belmiro, ele teve três chances de se jogar, mas foi em frente e marcou. O grande problema do Neymar é sua parte emocional. Quando seu time está ganhando, ele dá show. Quando está na adversidade, ele se transforma. Fica irritado e corre até o risco de ser expulso. O problema é que todo jogo ele tem a responsabilidade de resolver.

Quem será melhor do mundo primeiro, Neymar ou Mbappé?

Veja bem, o Neymar tem mais recurso que o Mbappé. Mas o francês tem só 19 anos, ou seja, sete a menos que o brasileiro. E já ganhou uma Copa do Mundo, feito que o Neymar não tem. Hoje eu vejo o Mbappé mais atleta. Quando eu digo isso, eu falo num contexto geral. Acredito que o francês terá mais conquistas que o nosso craque.

Para completar, você notou que os torcedores não vibram mais com a nossa seleção como antigamente?

Isso é evidente. Mas tudo tem uma explicação. Como citei acima, não existe mais identificação. Tem jogador que prefere disputar uma partida da Liga dos Campeões do que vestir a camisa do Brasil em um jogo contra o Peru por exemplo. Falta amor.

O Brasil não consegue competir com os dólares e os euros de fora. Qualquer jogador de 16 e 17 anos vai embora e de repente, pinta na seleção. Tem torcedor que não sabe nem o time que ele jogou em nosso país. E isso não vai mudar nunca, só tende a piorar. Cada vez mais a tendência é o torcedor se distanciar da seleção. Lamento muito mesmo.

 

cesar sampaio 2

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *