Segunda Esportiva completa hoje 15 anos

Por Edmar Ferreira

A Segunda Esportiva completa 15 anos hoje. O programa, apresentado todas as segundas-feiras pelo dr. Roberto Lucato na TV Jornal, conta com a participação dos cativos Roberto Martins, Edmar Ferreira, Denis Suidedos, João Valdir de Moraes e César Roberto.

Como nasceu a ideia da Segunda Esportiva?

Na época eu apresentava um programa de rádio na Educadora. Depois de algum tempo houve um hiato na TV Jornal, que mantinha um programa esportivo com o Reinaldo Bastelli, pessoa que admiro muito. Mas houve um vazio.

Sendo assim, o Orlando Zovico, muito amigo do meu pai e uma pessoa bastante estimada, me convidou para bater um papo e oferecer uma parceria. Fiquei lisonjeado. Peguei minha esposa e meu filho e fomos comer uma porção em um restaurante do centro.

Dessa conversa surgiu o nome Segunda Esportiva, até porque seria de segunda-feira. Fizemos um piloto. Aí veio a Patrícia Almeida que foi nossa primeira diretora. Tivemos a ajuda do saudoso Emiliano Bernardes, que inclusive emprestou câmera para a gente.

Cada integrante da equipe tem uma característica diferente. Do polêmico ao engraçado. Qual é o segredo para tanto tempo no ar?

A equipe. Sem uma diversificada, competente e interessada em fazer o programa, isso não seria possível. Não somente com aqueles que aparecem na tela, mas aqueles que constroem o programa, como os editores, os câmeras e o pessoal da técnica da TV Jornal.

Até gostaria que o programa tivesse mais polêmica, mas polêmica por polêmica eu não gosto muito. Todos são bonzinhos até demais. Tem muito programa que tem um personagem só para discordar. No nosso caso, em muitas situações a nossa opinião é unânime.

Qual é o principal foco do programa?

Sem dúvida o esporte amador de Limeira, incluindo as categorias menores. Eu não tive a felicidade de ver alguém filmando meus jogos, na época em que jogava no Palmeiras, no Estudantes e até no time que formei, o Grêmio Esportivo Juventude.

Claro que o futebol tem mais destaque, até porque temos duas equipes profissionais e o Brasil é o país do futebol, mas cobrimos todas as modalidades.

Foram milhares de matérias. Quais foram as mais marcantes?

Me lembro de uma homenagem a você Edmar Ferreira. No seu aniversário nós entrevistamos seus familiares. Você chorou o programa todo. Mais até do que a homenagem ao Denis Suidedos.

Tem uma que não foi ao ar, mas que um dia eu vou liberar, que é sobre uma homenagem a mim, em um aniversário. Têm matérias que mostravam meu filho jogando. A abertura dos Jogos Escolares também me emociona muito.

As do João Valdir são as mais engraçadas. Ele representa o brasileiro-raiz, que gosta de ver tudo da forma correta. Mas às vezes sai errado. E o levar na esportiva para o João é diferente. Ele fica brabo, inconformado e isso deixa a matéria engraçada. Ele é uma pessoa boníssima. Um excelente companheiro. Gosto demais do João.

Foram também inúmeros convidados. O ponto alto foi o radialista Rafael Henzel, sobrevivente da tragédia com o voo da Chapecoense?

Até pela gravidade com a tragédia da Chapecoense, sim. Ele dificilmente será esquecido nos meios esportivos. O Henzel nos passou uma mensagem bonita. Mas levamos inúmeros treinadores. Levamos taças na Segunda Esportiva.

O esporte é bonito. As conquistas sempre serão exaltadas. Veja, por exemplo, os garotos da França. São milionários, mas na hora da premiação da Copa do Mundo, debaixo de chuva, esqueceram seus carros de luxo e suas mansões.

O Cristiano Ronaldo trocaria tudo por um título com Portugal. O próprio Modric quando recebeu o título de melhor da Copa não sorriu. Ele queria ser campeão.

O reconhecimento do telespectador, tanto nas enquetes quanto nas ruas, lhe motiva?

Confesso, já pensei em parar com o programa faz muito tempo. Tenho outras atribuições, a vida tá difícil e tenho muitos afazeres. Me custa muito tempo. Me lembro do meu pai quando ia nas Copas Gazeta. Sempre alguém olhava para ele e dizia: “Dema”. Na época era o dr. Waldemar. Ele adorava ser chamado de Dema, assim como eu gosto de ser chamado de Beto.

Quando saio nas ruas vejo esse reconhecimento. Até encontrei esta semana um senhor em uma cadeira de rodas que olhou para mim e disse que nos assiste toda as segundas. Esse incentivo é gratificante. A gente se sente participante na vida dessas pessoas no melhor sentido, que é o lado do bem.

Os empresários poderiam acreditar mais na Segunda Esportiva?

Quem patrocina o esporte geralmente está envolvido com ele. Têm placas em quadras de tênis, por exemplo, que os empresários que treinam é que ajudam. O retorno é discreto, exceto das grandes marcas. Parece que essa associação com o esporte não dá resultado. Eu não critico quem não investe.

Se esse empresário pudesse ajudar o esportista progredir eu já ficaria satisfeito. Quem precisa de ajuda é quem pratica o esporte. Não é fácil comprar material esportivo, pagar passagens, enfim, os recursos poderiam ser mais bem dirigidos aos esportistas.

Você tem saudade das jornadas esportivas?

Aprendi ouvir rádio com meu pai. Se eu tivesse tempo, viveria integralmente do esporte. O ambiente esportivo é muito gostoso. É saudável. É um ambiente de disputa. Cada um vai defender sua parte. Terminou o jogo, dá a mão e vamos embora.

Na época meu pai me ensinou o que era hipocrisia. Sabe quando termina um jogo de tênis e os adversários se cumprimentam. É isso. Claro que o cara que perdeu está triste. O esporte nos ensina a ganhar e perder.

Eu tenho muita saudade das nossas jornadas. Vivíamos em outras épocas, fazíamos nossas viagens e conhecíamos outras cidades. Aquilo contribuiu muito na minha formação. Assim como a Secretaria de Esportes me deu muita base para compreender os meandros da atividade esportiva.

Não vejo a hora de voltar. Assim como não vejo a hora de esse país voltar a ser um pouco melhor para todos nós.

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