Entrevista que fiz com o ex-lateral Zé Maria, do Corinthians, tri mundial em 1970

Por Edmar Ferreira

O ex-lateral Zé Maria, o Super Zé, ídolo do Corinthians e tricampeão mundial com a seleção brasileira em 1970, esteve ontem em Limeira. Foi dele o pontapé inicial para a 15ª Copa Casa, competição de futebol que reúne mais de 10 adolescentes da Fundação Casa.

O torneio está sendo realizado na escolinha Chute Inicial, de propriedade de Daniel Girattto. Zé Maria topou participar do Jogo Rápido da Gazeta de Limeira.

 

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Você se sente em casa em Limeira?

Demais. Sempre digo que aqui é minha casa, isso porque a primeira é Botucatu, onde nasci e a segunda é o Corinthians. Meu pai é daqui. Meus parentes são daqui.

Tive o prazer de jogar na Internacional. Fui trazido pelo saudoso Richard Drago e era um desejo do meu pai. No final da carreira comandei o Independente. Fiz grandes amigos aqui. Passo férias nessa cidade. Me sinto muito bem em Limeira. Sempre que posso estou por aqui.

Como você virou padrinho da Copa Casa?

Fui o escolhido para essa missão. Comecei como funcionário de pátio da antiga Febem. Aí quando mudou para a Fundação Casa e o esporte foi implantado após dois anos, tive a honra de iniciar esse trabalho gratificante.

Claro que eu gostaria que fosse uma escolinha de futebol normal, não com adolescentes que cumprem medidas socioeducativas. Mas faz parte. Nossa meta é amenizar esse sofrimento. E o esporte é uma grande ferramenta para isso.

Os destaques da Copa Casa são avaliados em clubes profissionais?

A maioria dos clubes nos dá essa abertura. Sempre pinçamos os melhores e encaminhamos para avaliações. Mas infelizmente essa geração é bem diferente da minha. No meu tempo todos queriam se tornar jogador profissional.

Hoje em dia tem garoto talentoso e com futuro certo que desperdiça essa oportunidade. Fica dois meses no clube e volta cometer um delito. Se perde novamente. Isso me entristece muito. Mas sempre uns dois ou três vingam. E o mais importante é que não há resistência dos clubes por ser um ex-aluno da Fundação Casa.

Você ainda joga sua bolinha?

A idade chegou e meu joelho não aguenta mais. Até o ano passado eu participei de alguns eventos do time máster do Corinthians. É legal jogar com Neto, Zenon, Ataliba e tantos outros.

Mas agora prefiro tomar minha cerveja, comer meu churrasco e conversar com os torcedores. O Dr Joaquim Grava é louco para operar meu joelho. Mas prefiro continuar assim.

Como foi para você estar na seleção de todos os tempos do Corinthians?

É um orgulho muito grande. E olha que grandes laterais direitos passaram pelo Timão, como Lidu, Alfinete, Edson e até mesmo o Fágner. Ser considerado o melhor de sua posição não tem preço. Onde eu vou, sempre alguém comenta dessa seleção. Muitos jovens se aproximam e comentam que o avô ou o pai era meu fã. Isso é gratificante.

A diretoria do Corinthians trata bem seus ex-jogadores?

De um tempo para cá nós, ex-jogadores, sentimos uma valorização maior. Principalmente após a inauguração da Arena Corinthians. A diretoria atual faz vários eventos e nos convida para jogos. A mentalidade mudou. Ou seja, há um reconhecimento. Isso é o mínimo que uma diretoria pode fazer pelos seus ex-ídolos.

É verdade que o Corinthians pode relançar aquela famosa camisa do sangue?

Visitei a loja Todo Poderoso Timão e falei com o Nelsinho, que é o responsável. Até hoje o torcedor procura por aquela camisa. Na verdade aquilo me marcou muito. Foi contra a Ponte Preta. Joguei com a camisa toda ensanguentada e o marketing do Corinthians a lançou, como sendo o símbolo da raça corintiana. Foi um sucesso de venda. Quem sabe ainda esse ano ela estará novamente nas vitrines.

camisa do sangue

Para finalizar, tem acompanhado os times de Limeira?

Vou ser sincero. Até quando cheguei aqui em Limeira comentei com meus amigos. Onde anda o futebol limeirense?

Em São Paulo não ouço mais falar desses dois clubes. A Inter é muito respeitada, mas precisa voltar para a elite e logo. Não pode ficar na A-2. Poxa, foi campeã paulista e em cima do Palmeiras.

O Independente me falaram que está na última divisão. Caramba, lembro que quase subiu para a A-1 recentemente. Tenho certeza que a maior culpa é dos dirigentes. O futebol de Limeira precisa acordar novamente.

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