Técnico da base do Flamengo diz que limeirense Rykelmo era muito dedicado

Por Edmar Ferreira

Uma relação de pai para filho. Assim foi a convivência de Ramon Cardoso Lima com Rykelmo de Souza Viana nas categorias Sub-14, Sub-15 e Sub-16 do Flamengo.

Presente ao sepultamento do limeirense, o treinador comandou o volante nos últimos três anos. E lembrou de uma feliz coincidência. “Fui promovido três vezes no Flamengo e em todas elas o Rykelmo foi meu jogador. É por isso que nossa relação era tão boa”, confidenciou.

Ramon disse que Rykelmo era muito focado e que gostava de treinar. “Ele tinha prazer no que fazia. Era quase sempre o primeiro a chegar nos treinos. Levava muito a sério mesmo e chegava até cobrar seus companheiros. Ao mesmo tempo era um garoto tímido, quieto, porém amado por todos”, frisou.

Ramon disse que Rykelmo tinha um futuro garantido e que estava crescendo dentro do clube. Foi campeão de uma Copa Internacional em Dubai na categoria Sub-16 e havia acabado de conquistar o bi no Campeonato Carioca.

Em razão de suas boas atuações na base, foi galgado ao profissional, onde ganhou a chance de treinar com o time de cima, sendo inclusive elogiado pelo experiente técnico Abel Braga. Inclusive, registrou esses momentos ao tirar fotos com os ex-santistas Gabigol e Bruno Henrique, recém-chegados ao Mengão.

Ramon disse que Rykelmo não aceitava meio termo. “Para se ter uma ideia, ele treinava até com dores. Não queria ficar de fora de jeito nenhum. Ele queria muito vencer na carreira e estava conseguindo alcançar seus objetivos. Fico muito triste que essa tragédia tenha interrompido carreiras promissoras. Eram apenas meninos que lutavam pelo sonho de um dia chegar ao profissional. Lamento muito mesmo”, completou.

Ramon estava acompanhado de Beto Médice, ex-zagueiro e treinador do Independente. Ele trabalha na captação de talentos para o Flamengo há dois anos e também fez questão de participar do adeus a Rykelmo.

Médice estava bem emocionado, pois convivia com esses meninos que perderam a vida no Ninho do Urubu quase que diaramente, em especial o limeirense.

Beto contou que Rykelmo era muito reservado. “Ele era quieto até demais, mas trabalhava muito. Era focado e levava a sério tudo o que fazia. A gente sentia nele uma segurança muito grande. Apesar da pouca idade, estava quase pronto”, afirmou.

No futebol, Médice disse que a principal característica de Rykelmo era a pegada forte. “Não tinha bola perdida para ele. Tinha tudo para vencer na vida. Foi uma judiação”, completou.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *