Novo técnico, Elano diz que acerto com a Inter foi humano e não financeiro

Por Edmar Ferreira

Em sua apresentação oficial ontem no Palacete Levy como novo técnico da Internacional, Elano fez questão de afirmar que seu acerto foi mais humano do que financeiro. Seu contrato entre em vigor no dia 1º de setembro e será válido até o final do Paulistão de 2020.

O novo treinador fez questão de enaltecer o clube, a diretoria e o professor Ismael Pereira, o Maé, que o revelou.

“Tenho uma identificação muito forte com a Inter e com a cidade de Limeira. Nasci em Iracemápolis, todos sabem, mas moro aqui há oito anos e conheço toda essa região. Chegou a hora de retribuir tudo o que a Inter fez por mim. Não posso deixar de lembrar do Maé, que foi quem me levou para o Guarani quando eu tinha apenas 12 anos. Em uma peneira de 600 garotos, fui aprovado como meia-direita. Depois voltei para a Inter e daqui minha vida deu uma guinada com minha ida ao Santos. O Maé é um anjo que apareceu em minha vida. Um segundo pai”, elogiou.

Celso Potechi disse que Elano sabe de todos os problemas financeiros enfrentados pela Internacional. “Ainda não temos um investidor e nenhum patrocinador ainda está fechado para o Paulistão. Mas a repercussão da vinda do Elano é muito grande, basta ver toda a imprensa presente nesta sala. Isso nos motiva. O nome do Elano é tão forte que tem jogadores com salários de até R$ 100 mil que podem aceitar jogar na Inter por muito menos, só pelo fato de acreditar no trabalho do nosso novo treinador”, frisou.

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Como será o processo de transição na Internacional?

Em primeiro lugar gostaria de agradecer o técnico João Vallim que foi quem colocou a Inter na divisão de elite após 15 anos. Depois, agradecer o Edilson Santos, que está comandando a Inter nesta Copa Paulista e fazendo um grande trabalho.

No primeiro encontro que tive com o Edilson em minha casa, senti que ele poderá me ajudar muito no Paulistão. Sei que poderei confiar em seu trabalho e na sua pessoa. Além disso, trouxe meu auxiliar Ivan Souza, que jogou comigo no Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. Tem tudo para dar certo. Começaremos o nosso trabalho de campo no dia 25 de novembro.

Qual será seu estilo como treinador?

Trabalhei com mais de 30 treinadores e com certeza, vou extrair o melhor de cada um. Mas quero deixar bem claro que sou o Elano Blummer, ou seja, tenho minha própria identidade. Vou jogar de acordo com a necessidade de cada partida, elaborando minha estratégia.

Mas posso afirmar que gosto de um futebol agressivo. Hoje em dia o futebol é muito dinâmico e é preciso se adequar a cada situação.

Você teme que possa ser pressionado?

Na Copa do Mundo de 2010 essa foi a primeira pergunta que a Fátima Bernardes fez para mim. Todo treinador está sujeito a isso, ainda mais quando as vitórias não acontecem. Mas posso afirmar que me preparei muito para assumir a Inter. É minha primeira grande chance como treinador.

Estou pronto e com muita vontade. Milito no futebol há 21 anos e passei pelos principais clubes do Brasil e atuei na Europa. Tive mais de 60 convocações para a seleção brasileira. Acredito no trabalho da diretoria da Inter, em especial do presidente Celso Potechi. Sei que a luta é diária para organizar tudo. Porém, posso garantir que estamos no caminho certo.

Como será sua relação com a base?

Não vejo futuro sem base. É muito importante um time ter uma base forte. Sei que a Inter tem uma parceria e que vai disputar a Copa São Paulo de Juniores. Estarei acompanhando tudo e quem sabe até, pinçando alguns meninos para o time de cima. Tudo depende da qualidade de cada garoto.

Você usará seu nome forte para conseguir parceiros e jogadores para a Inter?

Com certeza. Devo viajar para Santos e em seguida para Curitiba. Até brinquei que precisarei comprar um caminhão, pois vou rodar bastante nesse país atrás de jogadores e de parceiros. Já estou mapeando quatro jogadores, na faixa etária de 27 a 30 anos, que são muito bons. Vou mesclar a experiência com a juventude. Farei um time bem balanceado, mas muito competitivo, até porque o futebol hoje em dia está muito dinâmico.

Qual foi sua emoção em gravar o vídeo de apresentação?

Foi demais. Tudo começou aqui. Quando subi ao gramado para gravar o vídeo um filme passou em minha cabeça. As dificuldades que tive. Meu início defendendo o time de aspirante. Enfim, foi muito emocionante. Me lembro como se fosse hoje. Quando enfrentei o Santos em 2000, o saudoso Zito colocou a mão em meu ombro e disse: “quem é seu pai? vou te levar para Santos”.

E foi assim que eu vesti a camisa do time que teve Pelé e Pepe. Um lugar onde fui muito feliz e que conquistei inúmeros títulos.

Sua mensagem aos torcedores

Gostaria que o torcedor leonino acreditasse na Inter. Que comparecesse aos jogos. Que nos ajudasse. O projeto aqui na Inter é muito sério. O trabalho será árduo, mas estou vendo com bons olhos. Tenho certeza que tudo dará certo. Gostaria também que a imprensa nos desse um voto de confiança e que criticasse menos. Se todos se unirem, faremos uma Inter mais forte.

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