Ex-zagueiro da seleção brasileira, André Cruz visita o Independente

Por Edmar Ferreira

Nada melhor do que uma visita ilustre após uma derrota que não estava nos planos (3 x 1 para o Amparo na abertura da terceira fase da Segundona). Jorge Parraga e seu auxiliar Cláudio Roberto receberam ontem pela manhã no Pradão o ex-jogador André Cruz, um dos maiores zagueiros da história do futebol brasileiro.

O trio se conhece há muito tempo e trabalhou junto na Ponte Preta. Hoje, André Cruz, que tem 50 anos, mora em Santa Bárbara d’Oeste, é empresário de jogadores e tem uma escolinha de futebol em Campinas.

Medalha de prata com a seleção brasileira nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, André Cruz estaria de olho em alguns jogadores do Independente, entre eles o volante Gustavo Gomes, um dos principais nomes da equipe alvinegra nesta Segundona.

André Cruz nasceu em Piracicaba no dia 20 de setembro de 1968. Começou sua carreira na Ponte Preta, onde se destacou. Se transferiu para o Flamengo em 1990, onde foi campeão da Copa do Brasil.

Sua primeira experiência internacional foi no Standard de Liége, onde atuou por quatro temporadas e conquistou uma Copa da Bélgica. Em 127 jogos, marcou 19 gols, a maioria em cobranças de falta, sua especialidade.

O ponto alto de sua carreira foi no Napoli, onde jogou de 1994 a 1997. Foram 83 jogos e 13 gols. Conquistou a Copa da Itália em 1994. Foi para o rival Milan, onde atuou em 1997 e 1998.

Graças a suas ótimas atuações, foi convocado pelo técnico Zagallo para a Copa do Mundo de 1998, na França, quando substituiu o lesionado Márcio Santos. No total, foram 33 jogos pela seleção brasileira e um gol marcante de falta contra a Itália, que até hoje está na memória dos esportistas.

“Por onde eu passo, todos se lembram daquele gol de falta. Foi muito importante para a minha carreira”, comentou.

André Cruz ainda vestiu a camisa do Torino em 1999, antes de assinar com o Sporting, segundo ponto alto de sua carreira. Pelo time português virou ídolo. Foram 78 jogos, 9 gols e os títulos da Taça de Portugal e dois da Superliga.

De volta ao Brasil, defendeu o Goiás e o Internacional/RS, antes de encerrar a carreira.

 

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Até hoje André Cruz bate sua bolinha, mas as dores nos dois joelhos o impedem de brincar mais.

“Aliás, aproveito para mandar um abraço ao Dr Adolfo Nabas que sempre me ajudou. Até trouxe meu sogro para vê-lo. Estou precisando lhe fazer uma nova visita”, sorriu.

O ex-zagueiro disse que recebeu vários convites de Parraga para assistir os jogos do Independente nesta Segundona, mas a falta de tempo e sua agenda lotada o impediram disso. “Vamos estreitar mais”, prometeu.

Sobre a seleção brasileira, André Cruz disse que aceitaria caso fosse convidado para ser um dos auxiliares pontuais do técnico Tite.

O piracicabano ainda alertou sobre os jovens jogadores que hoje já estão ricos.

“O atleta que é convocado tem que sentir algo diferente. Tem que ter emoção, garra e cuspir sangue. É saber que atingiu o top da carreira. Mas às vezes não consigo enxergar isso. Hoje em dia tudo está mais fácil. Tem jogador com 16 anos que já está ganhando uma grana boa. Sendo assim, jogar na seleção brasileira para eles é algo normal, quando não deveria ser”, explicou.

Sobre Neymar, André Cruz diz que ainda acredita na plena recuperação do atleta.

“Depende única e exclusivamente dele. Ele precisa se conscientizar que cometeu erros, que criou atritos e que foi por um caminho ruim. O Neymar é um craque e tem tudo para dar a volta por cima. Basta focar só no futebol e não buscar a simulação”, comentou.

Parraga comemorou a visita e elogiou o amigo.

“Conheço o André Cruz há muito tempo. Foi um dos grandes zagueiros do futebol brasileiro. Dono de uma técnica invejável. Uma elegância para jogar. Não tem mais jogador deste nível hoje. Me orgulha muito recebê-lo aqui no Pradão. Para ser sincero, estamos em família”, comentou.

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