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Bolívar conta porque não levantou o troféu e não deu a volta olímpica em 1986

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Jogador com mais jogos pela Inter, com 294, Bolívar se recorda com carinho das amizades que fez em Limeira e do memorável título paulista de 1986, diante do Palmeiras, em pleno Morumbi. Foi o primeiro time do interior a conseguir tal façanha.

Em entrevista ao Pimba nos Esportes, o eterno xerifão do Limeirão disse que gostou de Limeira logo em sua chegada, após ter sido contratado pelos dirigentes Arnaldo Tintori e Trajano D’Andrea junto a Portuguesa de Desportos. “Foi amor a primeira vista”.

O que ajudou Bolívar a se entrosar rapidamente em Limeira foram os companheiros Beto Lima e Camargo que também vieram da Portuguesa.
Bolívar afirmou que tem muito orgulho em tudo o que fez pela Inter e que o fato de encabeçar a lista dos atletas que mais vestiram a camisa do Leão é motivo de satisfação.

Em recente entrevista, o companheiro de zaga Beto Lima afirmou que o apelido de Bolívar era cachorrão, pois todos tinham medo do zagueiro.

“E o dele era bacalhau, de tão seco que era. Parecia uma vareta”, sorriu.

Bolívar afirmou que realmente gostava de um churrasco e da sua cerveja, quase que diariamente.

“Quando terminava o treino eu ia para minha casa na Rua Hortência e meus filhos sempre pediam para eu fazer um churrasquinho. Era especialista nisso. Tinham umas 15 crianças no bairro que corriam para a minha casa à noite. Enquanto elas comiam a carninha eu ficava tomando minha cerveja e observando a brincadeira deles. Era bom demais”, lembrou.

O ex-zagueiro disse que seu José Macia, Pepe, não pegava em seu pé, pois sabia que dentro de campo ele correspondia.

“Todos brincam até hoje que eu mandava na Inter, mas o comandante era seu Macia. Pena que ele tinha um escorpião no bolso e não pagava nada”, frisou.

A fama de violento sempre andou ao lado do xerifão. Na entrevista, disse que realmente “gostava de um tornozelo”. Mas quem o incentivou foi o lateral Jorge Ortunho.

“Quando eu estava começando no Grêmio ele sempre falava para mim que nos primeiros cinco minutos o árbitro nunca expulsava. Desta forma, era para eu mirar o tornozelo do adversário e ir com tudo, pois isso o intimidaria para o resto do jogo. Segui a risca esse conselho. Deu certo”, sorriu.

Mesmo assim, foi poucas vezes expulso.

“Me lembro de poucos cartões vermelhos. Alguns que recebi foram para evitar gols. Eu realmente trocava um gol do adversário por uma expulsão. Mas tenho que confessar que realmente entrava forte nas divididas”, garantiu.

Final de 86

Bolívar afirmou que tinha certeza que a Internacional seria campeã em 1986.

“Nosso elenco tinha muita confiança. A gente sabia que se segurasse o Palmeiras no primeiro jogo, o título seria nosso, mesmo jogando no Morumbi lotado. E foi o que aconteceu. A gente mereceu aquela conquista. Nosso grupo era muito bom e todos se gostavam. Não tinha como dar errado”, justificou.

O mais engraçado é que Bolívar contou que trocou erguer o troféu e a volta olímpica no Morumbi pelo cigarro e por um balde de cerveja que foram preparados pelo roupeiro Chapéu no vestiário.

“Pensei comigo. Fui campeão, estou feliz, a cidade de Limeira está feliz, então já fiz minha parte. Agora quero relaxar naquela banheira gostosa do Morumbi. Deixei a festa para meus companheiros e fui fazer o que gosto”, confidenciou.

Bolívar contou também o episódio em que quase morreu em Ribeirão Preto, em uma partida contra o Comercial.

“O técnico da época era o Jair Picerni. Ele me orientou a marcar o Edval, que era um zagueiro alto e que vinha se destacando no jogo aéreo. Ganhei todas dele pelo alto, até que em um cruzamento, ele subiu atrasado e acertou a minha cabeça em cheio. Cai desacordado. Fui levado ao hospital e me reanimaram. Foi o momento mais tenso da minha carreira”, lembrou.

Bolívar não guarda mágoas por não ter sido convocado para a Copa do Mundo de 1978, na Argentina, quando vivia um ótimo momento na carreira. “Não era para ser. Bons zagueiros foram chamados. Não me arrependo de nada. Passou. Oito anos depois tive a maior alegria da minha vida que foi ter sido campeão pela Inter”, destacou.

Bolívar encerrou a carreira aos 37 anos, no Avenida/SC. Hoje, curte os filhos e os netos. Seu filho Fabian Bolívar seguiu os passos do pai, sendo campeão da Libertadores e Mundial com o Inter/RS. Hoje é treinador do Vila Nova.

E os dois tiveram a mesma sorte de parar na zaga. “O Fabian começou como ponta-direita no Guarani de Venâncio Aires. Aí o Mano Menezes o recuou para a lateral-direita. No Inter ele foi para a zaga e se firmou. Foi exatamente o que aconteceu comigo. Que bom”, recordou.

Mística da 5

Bolívar também era supersticioso. A maior prova disso, é que sempre jogou com a camisa 5 na Inter.

“Na minha estreia contra o Botafogo de Ribeirão Preto fui eleito o melhor em campo e estava com a camisa 5. Após o jogo eu avisei o Chapéu que jogaria para sempre com esse número. Ele deu um jeito e passou a 4 para o Gilberto Costa”, contou.

O ex-zagueiro também guarda com carinho a amizade que fez com o dirigente Richard Drago.

“Quando estava na Inter, meu telefone tocou as 4h da madrugada. Era a notícia que meu pai havia falecido. Fui até o apartamento do Richard Drago comunicar que precisava viajar para o sepultamento logo cedo. Ele bancou todas as despesas. Nem o troco ele quis. Jamais me esqueço desta atitude”, revelou.

Bolívar também foi eleito o melhor quarto-zagueiro da história da Inter e receberá o Troféu Grupo Aroeira. “Isso não tem preço que pague. Minha eterna gratidão a Limeira e aos torcedores da Inter. Fui feliz demais nessa cidade que mora em meu coração. Meu muito obrigado”, completou.

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